O Coaching e a Neurociência

Em debates sobre se e como é que o coaching envolve a neurociência (estudo científico do sistema nervoso), surgem diversas questões, tais como “o coach mexe com o cérebro dos coachees?”, “como é que se orienta o cérebro do coachee para uma ideia de maior felicidade e não de maior ameaça?”.

Dizemos que o objetivo do coaching é alcançar os objetivos e a felicidade, mudar a maneira de pensar dos coachees para uma mais positiva. Mudanças em como olhamos para o mundo ocorrem, uma vez que experienciamos mudanças através das questões feitas pelo coach, durante um processo de coaching. A neurociência é o estudo científico do sistema nervoso, desde o cérebro à medula espinal, passando pelas células nervosas. Esta ciência estuda então o comportamento, desenvolvimento e funções do nosso sistema nervoso.

É de facto encorajador, tanto para o coach como para o coachee, saber que as práticas que têm sido utilizadas por vários coaches ao longo dos anos (algumas intuitivas, algumas por tentativa e erro, e outras utilizando práticas de outras disciplinas) têm sido provadas ser efetivas através de meios científicos. Quem sabe o que mais iremos aprender através desde fascinante e relativamente recente ramo da neurociência? O nosso cerebro é de facto capaz de coisas fantásticas, muitas delas, consequentes de um processo de coaching.

O nosso passado influencia o nosso comportamento: no passado, era aceite que os seres humanos nasciam com cérebros que funcionavam de uma maneira específica e estavam já pré-determinados. Contudo, o cérebro é muito mais “maleável” e sofre alterações de acordo com as nossas experiências de vida.

“Neuroplasticidade” é o termo utilizado para descrever o processo onde várias das estruturas do cérebro podem ser modificadas através de experiências, mesmo na idade adulta.

Meditação: uma das práticas de coaching mais recomendadas é acalmar a mente, ou meditar. Uma mente calma permite-nos identificar as nossas fraquezas mais facilmente. Isto explica porque é que quando estamos descansados, todo o tipo de tarefas esquecidas, pensamentos ou ideias surgem. Estes, sempre estiveram na nossa mente, mas passam despercebidos, o que faz com que não nos apercebamos da sua existência. Por exemplo, pense em quantas fantásticas ideias já teve no banho ou quando está deitado.

Tirar uma pausa: Numa pesquisa recente, o neurocientista David Creswell explorou o que acontece no cérebro quando o ser humano lhe dá um problema demasiado grande para o seu consciente resolver. Creswell descobriu que as pessoas que tinham estado distraídas durante apenas uns minutos tiveram mais facilidade em resolver um problema complexo, do que as pessoas que nunca pararam de se esforçar para tal. A conclusão deste estudo é que se tirarmos uma pausa, o nosso inconsciente vai continuar a tentar resolver o problema, mesmo que esse não seja o principal foco do consciente nesses minutos.

Ganhar uma nova perspetiva: O processo de ganhar uma nova perspetiva de determinada situação acontece através de uma conversa, uma clarificação, algumas questões desafiadoras, uma reflexão, e o momento mais crucial: o momento em que ganhamos a tal nova perspetiva. O momento em que o coachee ganha uma nova perspetiva e deixa para trás as suas emoções mais “confortáveis”, este está mais apto para responder apropriadamente e resolver problemas. Estudos mostram que é muito mais benéfico para o coachee caracterizar uma emoção e enfrentá-la (uma vez que consegue acabar por dominá-la e fazê-la desaparecer) do que ignorar essa emoção (que apenas resulta no contrário: tornar a emoção mais intensa). Emoções fortes reduzem o nosso poder mental.

Stress e Exercício: De acordo com um estudo da Universidade de Yale, o stress pode resultar numa diminuição do cérebro e na perda de sinapses importantes, enquanto que o exercício físico contribui para aumentar o volume do mesmo. Para além disso, o exercício físico aumenta a neurogénese (a geração de novos neurónios no hipotálamo), o que é ótimo para a memória.

Dormir: De acordo com Jessica Payne, uma neurocientista cognitiva, um cérebro adormecido está sempre ocupado a processar e a transformar informação, e em determinadas alturas, é até mais ativo do que um cérebro acordado. Um sono de grande qualidade, sestas, ou meditação altera imediatamente a maneira como processamos informação. Daí até, a expressão “dormir sobre o assunto”.

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